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Discovery: Não Pergunte Se Você Não Quiser Saber

maio 25, 2022
09:57

Discovery é um termo que vem sendo utilizado com cada vez mais frequência, em diversas esferas do mercado. Marketeiros, heads de inovação, T.I, R.H e até médicos têm incorporado essa palavra no vocabulário.

Por um lado, é gratificante ver como setores e indústrias têm se movimentado e transitado para novos modelos e para esse novo Mindset de descoberta, mas a pergunta que me pega é: será que as empresas realmente querem descobrir?

Até uns 10 anos atrás, Discovery era um canal de TV por assinatura onde eu acompanhava series e documentários sobre ciências, meio ambiente, tecnologia, etc. Hoje, a palavra configura o que, para mim, costumávamos chamar P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), mas vai entender… os tempos mudam e a gente muda junto.

Mas vamos lá… A premissa do Discovery baseia-se no estudo de um produto, onde através de informações relevantes, dados cruzados e múltiplas pesquisas, tentamos entender como ele, encaixa no mercado, como seu target reage e quais variáveis são importantes considerar. Feito isso, inicia-se o processo de planejamento.

Mas voltando àquele questionamento: será que as pessoas realmente querem descobrir algo? Essa dúvida veio à tona essa semana, após a conclusão de um processo de Discovery, aqui na giu·x. Depois de listar as descobertas e conclusões gerais obtidas através do Discovery, os stakeholders não demonstraram tanta empolgação com os resultados não…

Isso porque, o que já havia sido previamente delineado como estratégia de produto apresentou enormes lacunas no entendimento de quem era o verdadeiro usuário. Claro que essa conclusão foi baseada em quase 120 horas de pesquisa e uma quantidade considerável de documentos e ferramentas suporte.

O usuário encontrado não encaixava nas nomenclaturas habituais de marketing. Não era uma Buyer Persona, nem Brand Persona…era tudo, menos isso. A descoberta feita por nós trouxe dados sobre gatilhos de ansiedade patológica, traços de EGO, ID e Super EGO e, de forma geral, um olhar profundo sobre o individuo e não sobre o número que ele representa para a contratante.

Toda essa situação, um tanto quanto frustrante, me fez refletir sobre o nível de aprofundamento que nosso trabalho possui e até que ponto isso é interessante para as empresas. E pior que isso, me fez supor que, para manter o nosso trabalho atrativo para os clientes, precisamos ser empático as expectativas de quem paga e não com o propósito da contratação do serviço.

Particularmente, como fã e embaixador de pesquisas, acredito que, quando questionam ou divergem dos meus apontamentos, essa é uma bela oportunidade para rever minhas opiniões sobre qualquer assunto. Logo, levar esse princípio para o meu trabalho e para a minha equipe é essencial para nos destacarmos.

Na giu·x, não há espaço pra desconsiderar qualquer apontamento, seja de onde ou de quem for. Quando temos ângulos diferentes, nossa visão holística costuma ser ainda mais rica. Quando olhamos para diferentes perspectivas, as divergências podem se tornar um motivador para traçar planos de inovação.

Nesse sentido, existem dois gaps a serem resolvidos pelos CEO´s, presidentes ou donos de empresas. Um deles é ter abertura para escutar e incluir posicionamentos que contrariam os seus próprios.  E o outro gap é a atenção àqueles colaboradores que estão mais preocupados em não serem pegos “empurrando o trabalho com a barriga” do que em abrir uma brecha de oportunidade e inovação para novas descobertas.

Discovery, na minha opinião, ainda é um conceito em maturação, uma criança que está ganhando terreno e passando pela sua meia hora de fama que, na verdade, deveria durar para sempre.

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